Ser fornecedor de alimentos para o mundo é, sem dúvida, motivo de orgulho. O agronegócio brasileiro é eficiente, produtivo e tem sustentado parte expressiva do nosso crescimento.
No entanto, é preciso refletir: até que ponto essa posição nos fortalece de fato, se ao mesmo tempo exportamos commodities e importamos produtos manufaturados, agregando pouco valor ao que produzimos?
Essa lógica tem um custo elevado para o país: desequilíbrio na balança comercial, baixa geração de empregos de alta qualificação e vulnerabilidade externa.
Não se trata de abandonar o agro, pelo contrário. Trata-se de complementar sua força com um parque industrial ativo, moderno e competitivo, capaz de transformar recursos naturais em valor agregado.
A pergunta que se impõe é: como reverter esse quadro? A resposta passa, inevitavelmente, por políticas públicas eficazes.
Investimentos industriais exigem planejamento de longo prazo, infraestrutura adequada, crédito acessível e um ambiente regulatório estável. Essas são condições que dependem de ação coordenada entre o setor privado e o poder público.
Alguns podem questionar: por que depender do Estado? A resposta está nos exemplos internacionais.
A China, por exemplo, controla o valor de sua moeda para manter a competitividade de suas exportações, e realiza investimentos massivos em infraestrutura e tecnologia para sustentar seu crescimento.
Os EUA, a Europa e outros países desenvolvidos também apoiam indústrias estratégicas com incentivos, subsídios e proteção regulatória quando necessário.
Empresas globais são, muitas vezes, extensões do poder geopolítico de seus países. Elas geram lucros que retornam às suas matrizes, financiam pesquisa e inovação e contribuem para o fortalecimento nacional.
Por isso, políticas públicas bem desenhadas não significam dependência, mas sim alavancas de desenvolvimento que criam as condições para o empreendedorismo florescer.
Na Max Weber, acreditamos que a reindustrialização do Brasil e da Bahia não é apenas uma oportunidade. É uma necessidade estratégica.
Estruturar projetos industriais, atrair investidores, articular com governos e transformar ideias em ativos produtivos é o caminho para gerar empregos, aumentar nossa competitividade e combater de forma estrutural a pobreza.
É hora de pensar grande e agir com visão de futuro.
Júlio César Pereira CEO da Max Weber Economista, especialista em estruturação de projetos e investimentos com foco em desenvolvimento regional e geração de valor para o Brasil.